Quando diminuíram a quantidade de vereadores no Brasil, muita gente achou que a medida era boa porque a gente logo pensa que menos vereadores, menos despesas, menos problemas e menos decepções. Logo em seguida, deu pra ver que a medida não era exatamente aquilo que parecia à primeira vista, e que a redução tinha elitizado demais as cadeiras e só conseguiam se eleger pessoas que estivessem inseridas nos grandes esquemas e com muito dinheiro. Isso é o que se vê por ai de eleição em eleição. Os grandes esquemas políticos ocupam todas as cadeiras e as coletividades menos afortunadas não vão conseguir nunca eleger seus representantes porque a força da democracia não vence a força do dinheiro farto conseguido de maneira fácil nos negócios da política. O resultado foi que a constituição continuou permitindo o limite de 8% para municípios como Caraguatatuba, que tem menos de 100 mil habitantes, e os gasto não diminuíram porque os 8% seguem sendo usados, só que por 10 ao invés de 17 vereadores. Há comentários que dão conta de que pessoas gastaram até três vezes o que irão receber a título de salário como vereador em toda a legislatura. Isso significa que a redução foi prejudicial aos princípios democráticos. A elite economicamente forte ocupa as cadeiras e forma um poder fechado em torno de alguns vícios antigos que tornam o orçamento público uma verdadeira farra com o dinheiro público. Os vereadores se agrupam e se reelegem sempre com os recursos vindos do próprio poder público.
A regra geral é que quase todos se reelejam sempre e com pouquíssimas modificações de eleição para eleição.
Que acha que a política atualmente praticada está ruim, terá que se acostumar com a sua sedimentação enquanto perdurar a compra de votos, a cooptação de votos com favores das secretarias municipais, fura filas e outros meios de agradar os eleitores. Ou seja, a disputa é injusta entre um vereador e um candidato que não seja vereador e não esteja inserido nos grandes esquemas.