
De:
joao.roc
Data:
06/01/2009 11:42
Assunto:
Luta Politica
Companheiros (as)
FOTO DE MAQUIAVEL
O texto abaixo, tem suas controvérsias, porém podemos tirar algumas lições. Mquiavel escreveu O Principe, sua obra prima, baseado na realidade de sua época. Hoje, alguns dos seus argumentos são atuais.
Provavelmente serve como manual de alguns dos nossos adversários políticos.
"Não há livro tal mal que não se encontre algo de bom"
M.S.
Um abraço do
João Rocha
Presid. DM. PT
Caraguatatuba
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Sabedoria Política
O político deve ter a força do leão e a astúcia da raposa
"Há dois métodos de luta. Um é pela lei, e o outro pela força. O primeiro é próprio dos homens. O segundo, dos animais. Entretanto, como o primeiro método é muitas vezes insuficiente, deve-se aprender a usar o segundo. Um príncipe, então, sendo obrigado a saber lutar como um animal, deve imitar a raposa e o leão, pois o leão não sabe proteger-se das armadilhas, e a raposa não consegue defender-se dos lobos. O príncipe, portanto, deve ser uma raposa para reconhecer as armadilhas e um leão para assustar os lobos." - Maquiavel, em O Príncipe.
Maquiavel, como já tivemos a oportunidade de alertar nesta coluna, é um teórico da "escola realista da política". Como tal, ele analisa a política como a luta pela conquista e manutenção do poder. Vivendo em pleno período renascentista, com a Itália dominada por governantes inescrupulosos, com a Igreja completamente corrompida, para ele a política é a luta permanente pelo poder, sem qualquer referencial ético ao qual esteja subordinada.
O realismo de Maquiavel assusta, choca e escandaliza, mas também surpreende por sua freqüente correspondência com a realidade
Sua obra prima, O Príncipe, é dedicada a Lorenzo de Médici, embora, historicamente, tenha sido leitura obrigatória de famosos governantes e líderes políticos, dentre os quais notabilizou-se Napoleão, por suas observações, escritas à margem do volume que manuseava.
O Príncipe é uma das obras mais editadas da história. Difícil você entrar numa livraria e não encontrar uma nova edição da obra. Rejeitado como um teórico "amoral" e "maldito", pela sua visão negativa da natureza humana, Maquiavel continua sendo reeditado e lido e relido por todas as gerações.
É inegável que há algo de permanentemente moderno numa obra que é continuamente reeditada, estudada na academia e se constitui em livro de cabeceira de políticos e governantes célebres. É igualmente inegável que, se há algo de permanentemente moderno na obra, é porque há algo de perene nela. O realismo de Maquiavel assusta, choca e escandaliza, mas também surpreende por sua freqüente correspondência com a realidade.
Não é este o local para aprofundar questões desta natureza. Entretanto, não há como se falar da sabedoria da política sem recorrer extensivamente a Maquiavel. Não se pode e nem se deve fazer uma leitura literal de Maquiavel.
Na sociedade para a qual escrevia, o uso da força significava literalmente matar, expropriar e torturar. Uma leitura moderna de Maquiavel, numa democracia, se satisfaz com a tradução daquele conceito para o sentido de "uso da força política". Neste sentido, um governante democrático pode aprender muito com Maquiavel sem tornar-se um tirano. Na citação que abre esse texto, Maquiavel aconselha o Príncipe a possuir a astúcia da raposa e a força do leão, porque, como ele mesmo alerta, a força da lei, não sendo suficiente, o governante deverá recorrer à força para sobreviver.
Maquiavel aconselha o Príncipe a possuir a astúcia da raposa e a força do leão
Dois são os principais perigos a que está sujeito um político: as armadilhas e o ataque. Para as primeiras ele deve ter a astúcia da raposa, e para os segundos a força do leão. Astúcia e força não são qualidades fáceis de conviver numa mesma personalidade. O entendimento comum é que o fraco, por ser fraco, recorre à astúcia para sobreviver. Inversamente, o forte tende a ser percebido como bruto, simplório e pouco inteligente.
Para Maquiavel, o líder deve aspirar combinar em si estas duas características. E Maquiavel não errou. Se observarmos as biografias dos grandes líderes notaremos que eles triunfaram quando logravam combiná-las e caíam quando descuidavam de uma ou outra.
Num contexto democrático, a advertência de Maquiavel não perde sua validade. O jogo político parlamentar, ou no interior de um governo, ou de um partido, é sobretudo um jogo de astúcia. Já o jogo político eleitoral, é, fundamentalmente, um jogo de força.
Mas haverá momentos em que o político hábil terá que fazer pesar a sua força política dentro do governo a que pertence, ou do partido ou parlamento que integra, e inversamente usar da astúcia na relação com seus adversários na disputa eleitoral.
A leitura "não literal" de Maquiavel compatibiliza-o com o jogo político democrático. Força, com seus conceitos correlatos (crueldade, armas, violência, fazer o mal, etc) de uso permanente na análise política de Maquiavel, é o conceito que menos se harmoniza com a política numa democracia.
Entretanto, se "traduzirmos" força por força política, isto é, o uso legítimo do poder, da influência, da popularidade, do prestígio, das relações, da organização, da pressão, em resumo, de todos os recursos políticos que um líder possui a seu alcance, grande parte das lições de Maquiavel harmonizam-se com a prática da democracia. É neste sentido então que a "força do leão" deve ser entendida no nosso contexto. Já a astúcia da raposa dispensa "tradução".
Fonte:
http://www.politicaparapoliticos.com.br/
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