domingo, 22 de março de 2009

MELHOR É PEDIR ÁGUA

ÁGUA E ENVELHECIMENTO
De:
">cacilda maria da costa
Para:
blogdojoaolucio@bol.com.br
Assunto:
ÁGUA E ENVELHECIMENTO
Data:
20/03/2009 09:07

Água e Envelhecimento Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano deMedicina, lanço a pergunta:"Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?"Alguns arriscam: "Tumor na cabeça:".Eu digo: "Não".Outros apostam: "Mal deAlzheimer".Respondo, novamente: "Não".A cada negativa a turma espanta-se. E fica ainda mais boquiaberta quandoenumero os três responsáveis mais comuns: diabetes descontrolado; infecçãourinária; a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idososficaram em casa. Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede,deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los,desidratam se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo oorganismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial,aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), comae até morte. Insisto: não é brincadeira.Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água.Na adolescência, isso cai para 70%.Na fase adulta, para 60%.Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água.Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outrocomplicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água,pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem. Explico: nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São elesque verificam a adequação do nível. Quando ele cai, aciona-seautomaticamente um "alarme". Pouca água significa menor quantidade desangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias. Porisso, o corpo "pede" água. A informação é passada ao cérebro, a gente sentesede e sai em busca de líquidos. Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes. A detecção defalta de água corporal e a percepção da sede ficam prejudicadas.Alguns, ainda, devido a certas doenças, como a dolorosa artrose, evitammovimentar-se até para ir tomar água. Conclusão:idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reservahídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seucorpo. Além disso, para a desidratação ser grave, eles não precisam degrandes perdas, como diarréias, vômitos ou exposição intensa ao sol.Basta o dia estar quente - e o verão já vem aí - ou a umidade do ar baixarmuito - como tem sido comum nos últimos meses. Nessas situações, perde-semais água pela respiração e pelo suor.Se não houver reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que oidoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas efunções de todo o seu organismo. Por isso, aqui vão dois alertas.O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beberlíquidos. Bebam toda vez que houver uma oportunidade. Por líquidoentenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutasricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, tambémfuncionam. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido paradentro. Lembrem-se disso! Meu segundo alerta é para os familiares:ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Lembrem-lhes de que isso évital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitandolíquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora doar, atenção. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes dedesidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico. Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicase professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade deMedicina da Universidade de São Paulo (USP).

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