17/9/2009 7:20Líder do governo desabafa contra prefeito: “Pelo menos me respeite”
Vereador Marcos Tenório alega que não é informado sobre projetos enviados à CâmaraHelton RomanoDiscussões acaloradas, declarações polêmicas, homenagens, votação ilegal, e críticas do líder de governo ao... governo. Teve de tudo na sessão da Câmara na última terça-feira. Pudera, foi a sessão mais longa do ano, com quase cinco horas de duração.Três projetos enviados pelo prefeito Ernane Primazzi (PSC) foram votados em regime de urgência sob protestos do vereador Marcos Tenório (PMDB), líder do governo na Câmara. Tenório alegou que não tinha conhecimento dos projetos e fez questão de expor seu descontentamento. “Que líder é esse que não sabe nem o que está se passando?”, questionou.O presidente da Casa, Luiz Antonio Barroso, o Coringa (DEM), tentou por panos quentes na situação. “Vamos tratar do assunto com cautela. Ninguém está fazendo nada pelas costas”, disse Coringa. A sessão foi suspensa e os vereadores ficaram quase 10 minutos reunidos a portas fechadas no gabinete do presidente. Porém, não houve acordo.Tenório ganhou o apoio de Marcos Jorge (PV) e Artur Balut (PSDC). Os três votaram contra o requerimento que pedia urgência na votação do projeto de lei que amplia o prazo da licença maternidade a servidoras públicas. “Fui solidário ao líder. Como fazemos parte da bancada (governista) temos que ser informados”, justificou Marcos Jorge.Os votos contrários ao regime de urgência não barraram a votação do projeto que amplia o período de licença maternidade para 150 dias. Tenório, então, apresentou uma emenda que estendendo ainda mais esse período para 180 dias, dando início a uma nova polêmica.Coringa alertou que o prefeito iria vetar a emenda. “É um direito meu”, respondeu Tenório. “Mas veto contra você é chato”, insistiu Solange Ramos (PPS). A vereadora ressaltou ainda que havia consenso entre prefeitura e Sindicato dos Servidores para que o prazo fosse de 150 dias.Irredutível, Tenório não abriu mão. “Se teve acordo com sindicato não estou sabendo de nada. Eu, como líder, não participei de nenhuma reunião, não fui informado. Por isso estou entrando com emenda sem influência de ninguém”, declarou.Paulo Henrique Santana (PDT) interviu na discussão. “Quando era secretário de Governo, o sindicato protocolou pedido para que a licença maternidade fosse de 180 dias. Caso haja alguma alteração dessa reivindicação, a gente gostaria de ser informado, se possível por escrito”, reclamou PH, que também cobrou explicação dos projetos enviados pelo prefeito. “Assinei o pedido de urgência achando que o prazo estipulado era de 180 dias”, comentou.Coringa fez nova investida contra a emenda. “É inconstitucional. Vereador não tem competência para apresentar esse tipo de emenda e já houve entendimento com o sindicato. Corremos o risco de perder o projeto se o prefeito tiver que vetá-lo. O Departamento Jurídico já se manifestou contrário”, advertiu.Maurício Silva (PPS) endossou as palavras de Coringa. “Todos queremos 180 dias, mas não podemos arriscar perder esse projeto. É melhor, hoje, engolir do que cuspir”, considerou Maurício. Apesar das divergências, a emenda acabou sendo aprovada por unanimidade. AlívioVisivelmente abatido, Tenório passou o restante da sessão cabisbaixo, pensativo. Na tribuna, ele voltou a expressar sua insatisfação. “Qual a função do líder de governo? Receber porrada, discutir, mas ter parceria também. O que estou pedindo é o mínimo de respeito por parte da Administração. Quem me escolheu para ser líder foi o próprio prefeito no dia 31 de dezembro”, revela.Em tom de desabafo, Tenório continuou: “Líder tem que ter noção do que vai defender, do que vai passar para os colegas”. O vereador apontou falhas no diálogo entre prefeitura e Câmara. “Não existe esse entendimento. Precisa ser corrigido enquanto é tempo”, avisa. Após o discurso de 16 minutos, Tenório disse à reportagem que iria para casa “aliviado”.Artur Balut parabenizou a atitude do ‘colega’. “Em alguns momentos me senti na tua situação”, confessa Artur, que, em junho, renunciou à vice-liderança do governo alegando faltar “liberdade de expressão”. Ele antevê problemas no relacionamento com a Administração. “Aquilo que falamos no passado está ressoando agora, e tenho receio que venha ressoar de maneira mais forte daqui alguns meses. Vamos torcer para que as coisas mudem”, avalia.Procurado pela reportagem, o prefeito Ernane Primazzi não atendeu as ligações. A assessoria de imprensa da prefeitura também não atendeu a solicitação de nota oficial para comentar o projeto aprovado com emenda, assim como as declarações do líder do governo.
FONTE: IMPRENSA LIVRE
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