quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Você Confia nos Medicamentos Genéricos?

05/09/2011

Os genéricos circulam nas farmácias brasileiras há 12 anos e ainda geram dúvidas em relação a sua eficácia, principalmente, para a classe médica.
De acordo com diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, os medicamentos genéricos passam por rigorosos testes de qualidade antes de terem seu registro e comercialização autorizados, por isso, têm exatamente a mesma qualidade que o medicamento de referência e vão produzir no organismo os mesmos efeitos.
Barbano afirma que estudos feitos pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa demonstram que tanto a população, quanto a classe médica ainda não se sentem totalmente seguros em relação ao uso desses medicamentos. De acordo com essas pesquisas, cerca de 15 % dos pacientes não confiam nos genéricos. Em relação aos médicos, aproximadamente 40% têm algum tipo de insegurança em relação aos genéricos e quase 20% afirmam que nunca prescreveriam esses medicamentos. Na opinião do presidente da Agência, essa atitude reflete a falta de conhecimento da população de uma maneira geral sobre os genérios que são 100% seguros e que passam por rigorosos processos de fiscalização.
O medicamento genérico é mais barato que o medicamento de marca e, por lei, deve ser no mínimo 35% mais em conta que o remédio de referência. Dessa forma, a entrada do genérico gerou um grande movimento em relação à redução de preço que, em média, acabam ficando cerca de 50% mais barato. Assim, o consumidor, muitas vezes, pode comprar o mesmo medicamento até por menos da metade do preço que custa o remédio de marca. Entretanto, se esse cenário tem impacto positivo para o orçamento das famílias brasileiras, para as indústrias que produzem os medicamentos de marca essa mudança não é tão bem vista.
Dirceu ressalta que a Avisa tem estudos que evidenciam como o marketing feito pela indústria farmacêutica interfere na conduta e na obtenção de informação por parte dos médicos. “Muitos médicos declaram nessas pesquisas que a maior fonte de informações que eles têm sobre os remédios que prescrevem são os propagandistas e é sabido que essas indústrias que lançam o medicamento de referência investem muito mais em marketing do que a própria indústria de genérico”, declara Dirceu.
Dessa forma, o presidente da Anvisa atribui essa insegurança por parte dos médicos em relação aos genéricos a esse movimento do mercado farmacêutico. Nesse contexto, o médico acaba conhecendo mais o medicamento de marca e acaba criando uma confiança em relação a marca, explica Dirceu. Entretanto, o fato do médico não prescrever o genérico não impede que o paciente faça uso desse, pois é possível trocar na farmácia o remédio de marca pelo genérico. A não prescrição no receituário por parte do profissional também não significa que o médico não queira que se faça uso dele, pois quando ele não quer, ele pode indicar na receita ou para o paciente, mas isso não é o mais comum, afirma o Presidente da Agência.
Barbardo entende que é preciso ações por parte da Anvisa para mudar esse comportamento, oferecendo mais tranqüilidade e segurança para o profissional prescrever esse remédio e para que a população possa usá-lo sem restrições.
O genérico hoje corresponde a 25% no mercado nacional. Esse mercado nos EUA chega perto de 45 %, onde as industrias farmacêuticas são muito poderosas. “Isso demonstra o quanto há espaço para crescimento do setor no Brasil”, afirma Dirceu. Ele lembra que esse comportamento demonstrado nas pesquisa em relação às dúvidas sobre os genéricos reflete também o tempo de convivência com esses medicamentos, pois nos EUA eles já estão disponíveis para os consumidores há pelo menos 40 anos, tempo suficiente para dirimir quaisquer dúvidas em relação a qualidade e a eficácia. Os genéricos são novos no Brasil e cada vez mais os brasileiros vão se acostumando, obtendo mais informações, e ,conseqüentemente, adquirindo segurança para usá-lo sem restrição.
Para o consumidor que ainda tem dúvida a Anvisa garante: “Os genéricos têm a mesma qualidade e eficácia do medicamento de marca.”

Por Bianca Reis

Fonte: Entrevista com o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, concedida ao programa Brasil em Pauta.

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