sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

INDIGNAÇÃO É POUCO NO CORREDOR DA MORTE

Sempre passo em frente à loja da Fátima, uma pequena loja de artigos para telefones celulares ao lado do Bar do Lima (nome antigo) eu pergunto pela sua mãe de 90 anos, menos quando a Vó está por ali no balcão com aquela carinha sempre alegre, que eu cumprimento só pra ver o seus sorriso meio infantil.
Ontem, não a vi por ali e perguntei, “como vai a vó”? Ouvi de volta a notícia de que ela não estava bem, por estar com dores internas na barriga e estar encontrando dificuldades para ser atendida pela rede pública de saúde no município de Caraguatatuba.
Foi levada no sábado à tal UPA do prefeito Antônio Carlos, digo isso porque desde que ele de forma audaciosa resolveu intervir no funcionamento da Santa Casa local, retirou e lá mais da metade da verba pública que permitia ao único hospital da cidade atender pacientes do SUS, em situação de emergência, e contratou a Córpore empresa que administra a saúde local com deficiências há mais de dois anos, a saúde virou um caos na cidade.
A vítima agora é a vó que com os seus quase 90 anos poderá ter a vida reduzida pela falta de vaga no hospital coisa que não acontecia antes da intervenção, já que a Santa Casa atendia o SUS, bem ou mal, mas atendia, na emergência ou urgência como é o caso da Vó, e nem macas com pacientes havia mais nos corredores. O hospital tinha falhas mas nunca essa de deixar de internar uma pessoa na urgência ou emergência.
A vó foi levada ontem à tarde de novo à UPA e foi sugerida a sua internação naquela unidade que não é hospital, para aguardar uma vaga na Santa Casa, já que as dores estão persistindo e o médico que fez um raio X diagnosticou pedras no fígado, caso meio raro, razão das dores constantes, sendo que a situação se agrava por se tratar de uma pessoa de muita idade.
Voltou pra casa, depois que o médico da UPA lhe disse que estava aguardando vaga também para um enfartado que estava ali na UPA até que o hospital consiga a vaga para internação.
Chegou-se a um ponto em que há fila para morrer ao invés de fila para curar pessoas enfermas. Há quem diga que é assim mesmo porque isso é em todo o Brasil. Mentira, quando se trata de urgência ou emergência, como parece ser os casos aqui relatados, não pode haver fila porque a morte é sempre o risco de quem está nessas situações.
Se era pra fazer isso com a saúde de Caraguá, poderia ter deixado como estava antes da tal intervenção inconsequente e altamente desumana em relação ao povo da cidade. Uma briga do prefeito com as irmãs causou esse caos na saúde pública de Caraguá. Se a vó falecer, por causa da falta de atendimento, o prefeito poderá responder a mais um processo, dada a sua desastrosa intervenção no sistema que poderia ser melhorado, mas não destruído.
O Secretário de Saúde é simpático mas está pilotando uma ogiva que vai explodir a qualquer momento pela teimosia de uma política que ignora o risco das vidas humanas e deixa as pessoas nesse estado de sofrimento, com dores contínuas. Será que se fosse a mãe do prefeito ela estaria na fila por falta de vaga? Se fosse mãe de algum vereador como seria o tratamento?
O mínimo que se espera é que a vó saia desta situação e possa viver mais alguns anos além do seus 90 já vividos.
Estão com a palavra o prefeito, o secretário de saúde e os vereadores que deveriam fiscalizar essa maldita mudança que só prejudica o povo e essa empresa Córpore que vem atendendo muito mal os pacientes de Caraguá.

Seria bom o prefeito, antes de renunciar ao cargo como prometeu dias atrás, dar uma “carteirada” nessas incompetências e acabar com o maldito “corredor da morte” que está instalado na UPA do Jardim Primavera.

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