domingo, 19 de novembro de 2017

O QUE IMPORTA NÃO É O QUE EXISTE

O QUE IMPORTA NÃO É O QUE EXISTE
O ser humano é dotado de dois fatores fundamentais na sua constituição, quais sejam: o corpo físico e a mente, ou alma como queiram, compondo-se assim a parte imaterial e a parte material que perfazem um conjunto de fatores que permitem ao homem sentir prazer, ser feliz, pensar, planejar o futuro de forma tranquila, ou de outro lado, sofrer, chorar, e até se matar diante de situações idênticas.
Segundo as experiências vividas em divãs, cada ser humano tem a sua conformação particular, tanto no que diz respeito à sua fisiologia, que se expressa na impressão digital a mostrar que os corpos não são iguais, assim como os dedos das mãos e as marcas que eles podem produzir nos documentos pessoais que são sempre diferentes.
Falando-se em corpo físico, somos todos diferentes ao contrário do que pensava o legislador constitucional que afirmava que somos todos iguais. Não somos.
nxergar o mundo ou, quem sabe, a forma de entender a vida em sociedade, é a mente, que alguns chamam de espírito, de alma, de aura, que mostram que cada ser humano entende um mesmo fato de modo diferente segundo a sua experiência vivida e armazenada no seu inconsciente. Isso é o que se denomina de significado psicológico ou representação mental de um certo acontecimento, figura ou fato. Para uns uma cadeira pode significar um trono confortável que acomoda o rei, pode significar a cadeira de balanço da avó a tricotar, mas pode significar também uma cadeira elétrica, dependendo de quem observa. A cadeira não importa, mas o que importa é o que uma pessoa sente diante do termo cadeira escrito ou falado. Tudo é uma questão de interpretação automática da mente que leva em conta os seus arquivos e registros que foram sendo depositados no inconsciente ao longo da vida. Quem viveu em ambiente de paz terá uma forma de olhar ou ouvir a palavra cadeira e quem viveu em ambiente de guerra ou de violência, terá outra reação ao ouvir ou ver o termo cadeira ou a figura da cadeira. Assim é com a roda que pode significar uma roda que atropelou alguém ou uma roda gigante do parque de diversões.
Cada pessoa, na sua individualidade, sentirá prazer ou sofrimento diante de um mesmo fato ou figura.
O porque as pessoas são tão diferentes incluindo os irmãos gerados e criados em um mesmo ambiente, é a grande pergunta que se ouve quando das comparações, e a resposta é simples: Um irmão mais velho não tinha irmãos mais novos durante uma época importante da sua vida, e certamente recebeu informações que não incluíam a figura do irmão que não existia. Assim, foi formado dentro de um ambiente completamente diferente de quando outros irmãos haviam a disputar, o brinquedo, o colo, o lugar na mesa e assim por diante. Desse modo, fica evidente que as informações decorrentes das observações do mundo são diferentes mesmo entre irmãos.
O ser humano é uma grande caixa que armazena conhecimentos a todo momento, seja diante de coisas boas ou de coisas ruins, e a tendência é reproduzir, no seu comportamento adulto, atitudes decorrentes do que viveu, porque ninguém revive o que nunca conheceu, e nem reproduz algo que nunca conheceu de algum modo.
Por isso o titulo deste escrito que quer salientar a ideia de que o que importa não é o que existe, mas sim o que uma pessoa sente diante do que vê ou ouve. Quem sofreu na guerra não conviverá bem com estampidos de fogos de artifício, quem sofreu abuso sexual pode detestar o sexo, quem viu a mãe ser agredida pelo pai, certamente vai viver só, e assim, a menos que seja submetido a tratamento capaz de modificar a estrutura mental, e subverter os significados nocivos que as ideias trazem, os seres humanos que sofrem com as suas lembranças estarão fadados ao eterno sofrimento.
Aquele que vivenciou situações de amor, de paz, de carinho, de calma e de compreensão terá formado uma mente tranquila e poderá conseguir uma vida de equilíbrio porque o que importa é o que ele sente diante das coisas e não as coisas em si.
João Lúcio Teixeira

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