sábado, 8 de março de 2014

O PT NÃO ESTÁ MORTO

Conversei com dois membros importantes do PT em Caraguatatuba, e ouvi uma frase que me preocupou de certo modo. Disseram que a palavra de ordem dentro da agremiação é “vamos ressuscitar” o partido.
Ressurreição sugere a restituição da vida a algo que estaria morto, e o PT não pode estar morto em nenhum cantinho do Brasil, porque é a legenda de maior abrangência política no país. Morto ele não está e “ressuscitar” não cabe no debate.
Comentei com eles que a legenda do PT é a marca mais forte do país atualmente, mais significativa do que a marca Corinthians, Flamengo, Petrobrás, e muitas mais, dado o número de militantes do partido e a sua penetração nas camadas organizadas da sociedade civil trabalhadora. Cada militante do partido tem o dever sagrado de não se deixar cair em tentação para preservar a importância social do partido no país.
Muitos criticam algumas práticas de membros do partido, mas se retirarem o PT do cenário político brasileiro, não haverá nada para se por no lugar, pelo menos por ora.  Se o PT estivesse morto como disseram os meus interlocutores, a desesperança do brasileiro seria muito maior.
Depois daquela conversa, eu pensei na hipótese de como seria o Brasil, se não houvesse a organização partidária que ocupa o centro do poder político. O cenário político brasileiro seria uma grande paisagem verde com uma enorme área queimada no meio. Um buraco negro que prejudicaria a imagem no seu todo.
Os que criticam o mensalão não elogiam as conquistas sociais que de fato são importantes, como a redução da miséria e da fome, com a mesma bolsa “pobreza” que dizem ser politiqueira, mas que já existia antes e fora aprimorada. O Brasil é mais humano do que era antes e isso nunca mais poderá ser retirado da nossa coletividade.

Sugiro aos amigos do PT de Caraguá que eliminem essa palavra ressuscitar do seu argumento, e a substituam por algo menos sarcástico, como revigorar, retomar a linha reta de conduta política, reconstruir partes doentias, ou algo semelhante. Eu não sou petista e nunca fui, mas tenho um respeito enorme pela sigla e pela maioria de seus mentores. É o único partido grande que tem identidade definida, ainda que arranhada por alguns membros menos cuidadosos ou menos comprometidos com defesa do patrimônio que fora amealhado pela sigla nessas décadas de existência. Feridas são para serem tratadas, ainda que o remédio seja amargo ou que se tenha que cortar a própria carne para eliminar os males. Quem acha ruim com o PT, precisa imaginar que o Brasil poderia ser muito pior sem ele.  
João Lúcio Teixeira

Um comentário:

José Carlos Toniasso disse...


eu não diria que om PT está morto, diria que está nos estertores da morte eminente.