terça-feira, 13 de outubro de 2015

SE A DILMA NÃO MUDAR O DISCURSO VAI COMPLICAR OS SONHOS DA ESQUERDA

Nos anos 60 os países da América do Sul passaram por grandes mudanças nas suas organizações políticas, já que a guerra fria travada silenciosamente entre Rússia e Estados Unidos, gerava efeitos práticos nesses países, com cada potência pretendendo influir na região. Era o “comunismo” russo contra o “capitalismo” americano e o povo da América do Sul no meio do fogo cruzado.
PRESIDENTE POPULAR
 PELA SEGUNDA VEZ
Uma ditadura no Brasil, outra no Uruguai, na Argentina, no Chile e assim a região se via sobressaltada pelo medo enquanto eram submetidas a governos implantados pela força sob o patrocínio financeiro do capitalismo que temia perder os aliados aqui da América. As ditaduras matavam em nome da liberdade, ou matavam em nome da luta pela liberdade que cada lado entendia válida a seu juízo. Muitas vidas foram ceifadas e pessoas desapareceram para nunca mais serem vistas.
Esquerda era o modelo russo, direita era o modelo americano, o primeiro se identificava como defensor dos trabalhadores ou do proletariado, termo mais utilizado, e o outro era defensor da liberdade dos lucros dos empreendimentos privados, o que se denominou de capitalismo. Quem tinha dinheiro achava que deveria mandar e quem tinha a força do trabalho achava que tinha o direito de participar das decisões e de participar nos lucros dos negócios porque sem a força do trabalho não haveria lucros. Esse embate persiste até hoje de forma mais moderna e mais refinada, porque a violência passou a ser combatida. O capitalista já não consegue ter escravos, os trabalhadores já recebem o tal PLR – Participação no Lucros e Resultados, mesmo que os capitalistas continuem comandando os negócios.
LECH WALESA
POLÔNIA
Na Polônia deu-se o primeiro grande exemplo de governo do proletariado, da era moderna, experiência de resultados contestados já que o presidente popular Lech Walesa, dirigente sindical que virou governante, não teve forças para fazer valer a novidade que à época assustava o mundo. Veja-se o filme “A revolução dos bichos”, que bem mostra as dificuldades de se manter a simplicidade quando se assume o poder. O porco, assim que virou primeiro ministro passou a achar injusto um ministro morar em um chiqueiro, e ai começa a derrocada do sistema. 
LULA E DILMA BRASIL ATUAL
JOSÉ MUJICA O PRESIDENTE
MAIS POBRE DO MUNDO
URUGUAI
No Uruguai uma recente experiência foi bem sucedida com a passagem de um dos presidentes mais populares do mundo moderno, vindo de vertentes parecidas com a do Walessa, o José Mujica que mesmo no cargo de presidente continuou morando numa casa simples e andando de fusca.
No Brasil o Lula, egresso de uma vertente semelhante conseguiu dar sentido à ideia de que reduzir as diferenças sociais não é algo impossível, e acaba no final favorecendo o próprio capitalismo que passa a contar com novos consumidores a partir do momento em que o pobre deixa de ser tão pobre. O governo popular no Brasil está agora com dificuldades por conta da economia que não anda bem. O fato é que a Dilma, diferente do Lula, passou a se comportar de forma parecida com os governos capitalistas e ao invés de medir os resultados do seu governo pelas conquistas populares, passou a dar ênfase excessivo à economia que não pode ser o mais importante parâmetro de um governo popular. O mais importante para esse tipo de governo são os indicadores sociais como a redução da pobreza, o combate à fome, universidade para todos, agua para todos, primeiro em prego, minha casa minha vida, mortalidade infantil, que eram os parâmetros usados pelo Lula para medir os resultados do seu governo. A Dilma está disputando prestígio político no campo dos partidos de direita, na economia, e lá a vantagem está sendo deles, os seus opositores, já que a economia por mais que não vá tão mal, uma redução do PIB da ordem de 3% é explorada pelas oposições como a pior crise econômica do país, é assunto que muito importa à burguesia. O fato é que a Bachelet no Chile que governa o país pela segunda vez, está conseguindo a confiança da população justamente porque trabalha os indicadores que favorecem a igualdade de oportunidades em favor dos pobres que são a grande massa que elege governantes.
A verdade é que o Brasil passou nos últimos anos por grandes mudanças na sua escala social. A miséria brasileira já não é tão miserável, e a pobreza já não é tão pobre.

Os da direita lutam para voltarem ao poder enquanto que os da esquerda desejam continuar no governo, e quem vai resolver o que é mais importante é o povo que no ano daqui a um ano vai às urnas para eleger prefeitos e vereadores. O mais importante instrumento da transformação é o voto popular que se eleger vereadores e prefeitos comprometidos com as lutas sociais estará apostando no quanto melhor, melhor, e se os bandidos eleitorais forem banidos do poder a esperança voltará a imperar no peito do cidadão.

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