quinta-feira, 20 de março de 2014

PADILHA PODE ENGROSSAR A DISPUTA PELO GOVERNO PAULISTA

Ontem estivemos em Caraguatatuba, como fazemos em todas as semanas, e participamos da recepção ao pré-candidato a governador de São Paulo, o ex-ministro Alexandre Padilha do PT. Encontramos inúmeros amigos da política regional como a Amélia Naomi, presidente da câmara de São José dos Campos, o Mauricio Moromizato, prefeito de Ubatuba, VereadoresTato Aguilar e Lelau, o pessoal da Ilhabela, Anselmo e Luciano, os dirigentes do PT de Caraguá, Cássia, Marquinhos, João Rocha, lá estava o Jumana do Jornal Noroeste News, um dos mais respeitados órgãos de imprensa do Litoral, Paulo Afonso, Cidreira, e mais um monte de gente boa de quem não posso citar todos os nomes se não a internet seria pequena, O Padilha fez um discurso que convence, na prática porque não tem palavras rebuscadas, embora seja médico, e nem temas filosóficos. Foi direto e reto nas questões importantes, como a segurança pública do estado que lhe parece deteriorada a cada dia, a educação que faz tudo menos ensinar, e bateu forte na questão da desapropriação de áreas habitadas para construção do contorno viário em Caraguá.
Recebeu documentos das mãos de cidadãos como o Cidreira do Sindicato dos Aposentados e Idosos que agradeceu ao Padilha por ter, quando ministro da saúde há dois meses atrás, determinado uma auditoria na saúde local, e da represente dos moradores da região da Ponte Seca onde serão desapropriadas inúmeras residências antigas recebeu um pedido de intervenção. Pode parecer inoportuno, mas se o Padilha for eleito, estará no cargo de governador daqui há 8 meses e poderá ter tempo de interferir no traçado do anel viário.
Parece que o PT está mesmo a fim de ocupar a cadeira do Geraldo. Sabe-se que o Geraldo é um dos poucos remanescentes do PSDB, bom de voto, que vai tentar a reeleição, mas o Padilha está fazendo um trabalho de formiga que pode levar perigo ao PSDB. São Paulo e Minas, são os dois redutos importantes do partido do Serra e FHC, e se houver derrota do Geraldo aqui e do Aécio na luta pela cadeira da Dilma, o PSDB poderá estar dando adeus ao poder, do mesmo modo que já aconteceu com o PFL que já foi um dos maiores partidos do Brasil. Chegou a fazer 101 deputados federais em uma só eleição e foi o recorde. Tempos depois, agonizou até ser substituído pelo DEM, numa tentativa de salvar o grupo político que tinha como importantes lideranças o Antônio Carlos Magalhães e o Marco Maciel, que traziam do nordeste a força que ampliava o tamanho da legenda. Política é assim, o Brasil já teve um enorme PTB, do Getúlio Vargas, um grande PMDB do Dr. Ulisses, um grande PSDB de FHC e Montoro e Covas, e agora está vendo mais um espetáculo da renovação política. Já dissemos e afirmamos, o poder do jeito que é exercido no Brasil, mata qualquer partido. O PT precisa estar atento a esse fenômeno se não vai pro mesmo caminho. As negociações políticas, não podem ser do poder pelo poder, mas do poder pelo desenvolvimento humano. O PMDB com essa recente ruptura com o governo da Dilma, pode também estar dando adeus ao palácio. A ficha mais importante do PT agora, é o Padilha no governo de São Paulo e vão jogar todas as fichas nele e na Dilma para a reeleição. Pra quem não gosta do PT, isso é horrível, mas quem gosta do governo Lula e Dilma, isso é uma delícia. Quem viver verá que o mais importante é que se fortaleçam as instituições democráticas que permitem ao povo escolher os governantes que mais lhe agradam, ainda que de vez em quando escolham bandidos, saqueadores, criminosos organizados e corruptos, mas é votando que vamos aprendendo a votar. Dizia Elis: “Vivendo e aprendendo a viver” Pra nós : “Votando e aprendendo a votar”. O PT está respeitando as regras e o Brasil está se beneficiando da estabilidade eleitoral de um governo que não tem mudado as leis pra se manter no poder. Está apostando na satisfação do povo em relação à sua forma de governar e isso é o ideal. Se começarem os casuísmos de mudanças eleitoreiras o povo vai querer mudar de governantes para defender o direito democrático de escolher livremente o representante. Por ora está indo bem.
Lembram? Voto direto, voto indireto, colégio eleitoral, mudança da constituição, dois partidos, e só faltou ao Brasil nos tempos dos invasores de fardas, ter somente um partido. A China e alguns países de lá, e outros daqui da nossa vizinhança da América do Sul, ainda são assim. Ainda bem que estamos no Brasil. Quem gosta o Padilha vota nele e quem não gosta vota em outro. Imaginem se fosse só um. Seria muito triste. Ainda tem idiotas que sentem saudades da ditadura. Que louco! Diria o mineirinho: “Cruiz credo, sô!” “Váde retro satanás”. Ditadura nunca mais, nem de direita, nem de esquerda. Nós queremos votar até aprendermos a votar direitinho.
João Lúcio Teixeira


2 comentários:

fernando puga disse...

Parabéns joão pelo interpretação justa e eficaz. Tive muito prazer em conhecê-lo e espero ter oportunidade de mais conversas. Um abraço.

Bruno ALVES DE BRITO disse...

João Lúcio, meus cumprimentos. O acompanho há alguns anos, desde os tempos em que eu era estudante, participante ativo do movimento estudantil, em Caraguatatuba. Sendo bem objetivo, no que concerne ao espírito democrático e de maturidade que se espera de um povo na escolha de um líder, o Brasil engatinha à duras penas. Quando não há mudanças significativas na situação social de determinada região, no caso, São Paulo, o povo, ainda que de modo incipiente, tende à mudança. Me parece que é o que acontecerá. Não necessariamente com Padilha, mas que um segundo turno haverá, isso creio que haverá. Agora, em Caraguá, a situação é bem mais delicada. É certo que Antônio Carlos fez uma manobra arriscada com o Stella Maris e isso é inquestionável. Mas também é verdade que este hospital já não prestava seus serviços a contendo há tempos, com reclamações infindáveis de pacientes, médicos e funcionários. Oportunidades para mudança sempre existiram e nada ocorreu. Se o problema restringia-se ao repasse da prefeitura, por que não expuseram isso juridicamente, de modo a manter suas atividades? Nesse sentido, o prefeito foi sorrateiro, mas agiu consoante a lei. Antônio Carlos foi eleito democraticamente para conduzir o Executivo. Os vereadores, para exercício do Legislativo e para representação do povo. Quer dizer, então, que todos tiveram participação nesse episódio, pelo menos, a maioria dos eleitores que elegeram os políticos que estão aí? Se há provas de que essa manobra foi uma aventura, como o senhor diz, manobras outras no que tange à responsabilização do agente político existem e podem ser postas em prática. Já aconteceu com Collor, por que não aconteceria com Antônio?